Prato raso e pouca comida
Quem nunca, quando criança, desanimou diante de um prato lotado de comida, atire a primeira colher. Vamos confessar que só de ver aquela montanha de arroz e feijão, mais a “mistura”, servidos num prato fundo, dava uma preguiça de começar a comer. Mania de mãe, que acha que filho tem de comer muito e ainda raspar o prato.
Não é bem assim. A capacidade gástrica de um bebê de 1 ano varia entre 200 e 250 ml. A quantidade vai aumentando gradativamente até chegar a 1.300 ml na idade adulta. Ou seja, cabe muito pouca comida na barriga da criançada. Cabe menos ainda se, ao longo do dia, elas comem bala, chocolate e salgadinhos de toda ordem ao longo do dia, cheios de açúcar e sódio.
Quanto mais comida colocamos no prato infantil mais incentivamos o cérebro a perder a capacidade de saber que chegou a hora de parar de comer e jogados essa criança para as estatísticas da obesidade infantil. Isso porque quando somos bebês, até cerca de dois anos, temos a consciência exata da hora em que estamos saciados. Quando somos crianças, não comemos por gula, ansiedade, medo, frustração, alegria, paixão ou qualquer outra coisa. Comemos apenas porque estamos com fome!
Só que aí vem os adultos e querem que a criança coma mais, coma tudo. Recorrem a pratos fundos e lotados de comida. A maioria dos filhos comem e assim vão, aos poucos, perdendo essa maravilhosa capacidade do cérebro, a da saciedade.
Incrível, não? Da próxima vez que seu filho não quiser comer mais, pode ser que ele não esteja querendo aumentar o limite do seu poder dentro de casa. Nem ansiando em ganhar uma negociação. Nem testando sua paciência. Pode ser apenas que ele não esteja mais com fome!!
E, para aumentar as chances de o prato ser bem recebido quando chegar à mesa, dá para recorrer a alguns truques como servir os alimentos em porções controladas e não deixar a criança se servir e evitar a repetição; usar pratos rasos, ao invés de fundos; em tamanho menores; com maior quantidade de alimentos de baixo valor calórico como alface, agrião, tomate, palmito para a criança ter a impressão de que está comendo mais.